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Feche os olhos por três segundos e imagine: você acorda em um barco deslizando pelo Rio Nilo, o sol nasce dourado sobre palmeiras de cinco mil anos de história, e o cheiro de chá de hibisco sobe do convés. Isso não é cena de filme. É uma terça-feira comum para quem escolheu conhecer as cidades do Egito para visitar — e sim, cabe no seu orçamento mais do que você imagina.


Se você é brasileiro ou português e acha que o Egito é "aquele destino distante que um dia eu vou", este artigo existe para transformar esse "um dia" em data no calendário. Aqui você vai encontrar as 10 melhores cidades do Egito, o que fazer em cada uma, quanto tempo ficar, quando ir e os erros que quase todo viajante de primeira viagem comete (e como evitá-los).


Prepare-se: no final deste guia, sua única dúvida será a data do embarque.

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Por que o Egito entrou na lista de desejos de todo viajante em 2026?


Três motivos rápidos antes de mergulharmos nas cidades:

  1. O Grande Museu Egípcio finalmente abriu. Depois de mais de 20 anos de construção e um investimento de US$ 1 bilhão, o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização foi inaugurado ao lado das Pirâmides de Gizé — com a coleção completa de Tutancâmon exposta pela primeira vez na história. Quem visita o Egito agora vê o que nenhuma geração anterior de turistas viu.
  2. O câmbio joga a seu favor. A libra egípcia desvalorizada faz o país ser um dos destinos históricos mais baratos do mundo para quem chega com reais ou euros. Um jantar completo com vista para o Nilo pode custar menos que um rodízio em São Paulo ou um jantar médio em Lisboa.
  3. É mais perto (e mais fácil) do que parece. De Lisboa, são cerca de 5 horas de voo direto para o Cairo. Do Brasil, conexões via Europa, Istambul ou Doha resolvem em um dia de viagem. Brasileiros e portugueses obtêm o visto de forma simples (e-Visa online ou visto na chegada), sem burocracia de consulado.

Agora sim: vamos às cidades.

 

1. Cairo — o coração pulsante que nunca dorme

 

Nenhuma lista de cidades do Egito para visitar começa em outro lugar. O Cairo é caótico, barulhento, intenso — e absolutamente inesquecível. É a maior metrópole da África e do mundo árabe, onde mesquitas milenares dividem o horizonte com arranha-céus e o trânsito tem uma lógica própria que você aprende a amar (ou pelo menos a rir dela).

O que não pode faltar no seu roteiro:

  • Pirâmides de Gizé e a Esfinge (tecnicamente em Gizé, colada ao Cairo): a última das Sete Maravilhas do Mundo Antigo ainda de pé. Chegue às 8h, quando os portões abrem, e você terá fotos sem multidão.
  • Grande Museu Egípcio (GEM): reserve no mínimo meio dia. A galeria de Tutancâmon, com mais de 5 mil peças do tesouro do faraó-menino, é o tipo de experiência que dá arrepio.
  • Khan el-Khalili: o bazar mais famoso do Oriente Médio. Pechinche sempre — começar oferecendo 40% do preço pedido é regra do jogo, não falta de educação.
  • Cairo Copta: a Igreja Suspensa e as ruelas do bairro cristão mostram um Egito que poucos turistas conhecem.
  • Jantar-cruzeiro no Nilo: música ao vivo, dança do ventre e a cidade iluminada refletida na água.

Quanto tempo ficar: 3 dias completos. Dica de ouro: use Uber ou Careem (o "Uber egípcio") — funciona perfeitamente e elimina qualquer negociação com táxi.
 

Khan El Khalili
Khan El Khalili

2. Luxor — o maior museu a céu aberto do planeta


Se o Cairo é o coração, Luxor é a alma. Construída sobre a antiga Tebas, capital do Egito na era de ouro dos faraós, a cidade concentra sozinha cerca de um terço dos monumentos antigos de todo o mundo. Deixe isso assentar por um segundo: um terço dos monumentos antigos do planeta em uma única cidade.


Margem Oriental (a cidade dos vivos):

  • Templo de Karnak: o maior complexo religioso já construído pela humanidade. A sala hipostila, com 134 colunas de 21 metros, faz qualquer catedral europeia parecer modesta.
  • Templo de Luxor ao entardecer: iluminado à noite, é pura magia.

Margem Ocidental (a cidade dos mortos):

  • Vale dos Reis: desça às tumbas dos faraós e veja pinturas de 3.500 anos com cores tão vivas que parecem ter sido pintadas na semana passada. A tumba de Tutancâmon está aqui.
  • Templo de Hatshepsut: o monumento da mulher que se fez faraó, esculpido na encosta de um penhasco.

A experiência que muda vidas: o passeio de balão ao nascer do sol sobre o Vale dos Reis. Por valores a partir de US$ 60–90, você flutua em silêncio sobre templos milenares enquanto o deserto fica cor de mel. É, para muitos viajantes, o momento mais bonito de toda a viagem.

Quanto tempo ficar: 2 dias.


3. Aswan — o Egito que desacelera você


Depois da intensidade do Cairo e da grandiosidade de Luxor, Aswan é um suspiro de calma. A cidade mais ao sul do circuito clássico tem o Nilo mais bonito do país: águas azuis pontilhadas de felucas (os veleiros tradicionais) e ilhas verdes com vilarejos núbios pintados de azul, laranja e amarelo.
Imperdíveis:

 

  • Templo de Philae: dedicado à deusa Ísis, foi transferido pedra por pedra para uma ilha para escapar das águas da represa. Chegar de barco já é parte do encanto.
  • Vila Núbia: conheça a cultura núbia, tome chá na casa de uma família local e veja o pôr do sol mais fotogênico do Egito.
  • Passeio de feluca ao entardecer: sem motor, sem pressa, só o vento e o Nilo.
  • Obelisco Inacabado: entenda como os egípcios cortavam monólitos de granito de 1.200 toneladas.

Quanto tempo ficar: 1 a 2 dias — idealmente como ponto de partida ou chegada do seu cruzeiro pelo Nilo.


4. Abu Simbel — o templo que desafia a lógica


Tecnicamente uma excursão a partir de Aswan (3h de estrada ou 45 minutos de voo), Abu Simbel merece posição própria nesta lista. Os dois templos escavados na rocha por Ramsés II, com colossos de 20 metros de altura guardando a entrada, provocam aquele silêncio reverente que poucos lugares no mundo conseguem.

E aqui vai o fato que impressiona qualquer engenheiro: nos anos 1960, os templos foram serrados em mais de mil blocos e remontados 65 metros acima, para não serem engolidos pelo Lago Nasser. Duas vezes por ano (22 de fevereiro e 22 de outubro), o sol atravessa 60 metros de rocha e ilumina exatamente as estátuas do santuário interno — a mesma precisão astronômica calculada há 3.200 anos.
Quanto tempo: meio dia (saída de madrugada de Aswan, retorno ao almoço).
 

Casal em Aswan
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5. Hurghada — o Mar Vermelho que parece Photoshop


Achou que o Egito era só deserto e templo? Hurghada existe para provar o contrário. À beira do Mar Vermelho, a cidade é um dos melhores destinos de mergulho do mundo: visibilidade de até 30 metros, corais intactos, tartarugas, golfinhos e naufrágios históricos.

O que fazer:

  • Snorkeling ou mergulho nas Ilhas Giftun: águas turquesa que rivalizam com o Caribe — por uma fração do preço.
  • Safári no deserto de quadriciclo com jantar beduíno sob as estrelas.
  • Resorts all-inclusive com diárias que fariam qualquer resort do Nordeste brasileiro ou do Algarve corar: há opções de qualidade a partir de US$ 50–80 por pessoa.


Quanto tempo ficar: 2 a 3 dias para descansar depois do circuito histórico.


6. Sharm el-Sheikh — o glamour do Sinai


Na ponta sul da Península do Sinai, Sharm el-Sheikh é a irmã sofisticada de Hurghada. O Parque Nacional Ras Mohammed guarda alguns dos recifes mais espetaculares do planeta, e a badalada Naama Bay garante que a noite seja tão boa quanto o dia.

De Sharm também parte a excursão ao Monte Sinai: subida de madrugada para ver o nascer do sol onde, segundo a tradição, Moisés recebeu os Dez Mandamentos — com visita ao Mosteiro de Santa Catarina, um dos mais antigos do mundo em funcionamento contínuo.

Quanto tempo ficar: 2 a 3 dias.


7. Alexandria — o Mediterrâneo com sotaque egípcio


Fundada por Alexandre, o Grande, em 331 a.C., Alexandria já abrigou o Farol (uma das Sete Maravilhas) e a Biblioteca mais famosa da Antiguidade. Hoje, a 2h30 de trem do Cairo, ela oferece um Egito diferente: brisa do mar, cafés históricos, frutos do mar fresquíssimos e um charme decadente-elegante que lembra Havana ou a Lisboa antiga.

Destaques:

  • Biblioteca de Alexandria (moderna): um dos edifícios mais impressionantes da arquitetura contemporânea, homenagem à lendária biblioteca original.
  • Cidadela de Qaitbay: fortaleza do século XV construída exatamente onde ficava o Farol de Alexandria — com pedras do próprio farol.
  • Catacumbas de Kom el-Shoqafa: onde arte egípcia, grega e romana se misturam de um jeito único no mundo.

Quanto tempo ficar: 1 dia (bate-volta do Cairo) ou 1 noite.
 

Mergulho no  Mar Vermelho
Mergulho no Mar Vermelho

8. Dahab — o paraíso mochileiro que ninguém quer deixar


Pergunte a qualquer viajante experiente qual cidade do Egito o surpreendeu, e a resposta provavelmente será Dahab. Essa antiga vila de pescadores no Sinai virou refúgio de mergulhadores, nômades digitais e viajantes que foram passar três dias e ficaram três semanas.

Aqui fica o Blue Hole, um dos pontos de mergulho mais famosos (e belos) do planeta, acessível até para quem faz apenas snorkeling na borda. O clima é de chinelo, restaurantes com almofadas na beira d'água e pores do sol com as montanhas da Arábia Saudita no horizonte.

Quanto tempo ficar: 2 a 4 dias (ou três semanas, não diga que não avisamos).


9. Siwa — o oásis no fim do mundo


Para os viajantes que querem a história que ninguém no churrasco de família vai ter: Siwa. A 8 horas do Cairo, perto da fronteira com a Líbia, este oásis cercado pelo Grande Mar de Areia parece outro planeta. Foi aqui que Alexandre, o Grande, consultou o Oráculo de Amon — e a aura mística permanece.

Experiências únicas:

  • Flutuar em lagos de sal mais salgados que o Mar Morto, com água azul-cristal cercada de deserto branco.
  • Banhar-se na piscina de Cleópatra, fonte natural de água termal.
  • Sandboard nas dunas gigantes e noite em acampamento no deserto, sob um céu com mais estrelas do que você já viu na vida.

Quanto tempo ficar: 2 a 3 dias.


10. Gizé e Saqqara — onde tudo começou


Fechamos onde a civilização egípcia ergueu seus primeiros gigantes. Além das pirâmides famosas, Gizé dá acesso a Saqqara, lar da Pirâmide de Djoser — a construção monumental de pedra mais antiga do mundo, erguida há 4.700 anos — e a Dahshur, onde a Pirâmide Vermelha e a Pirâmide Curvada contam, em pedra, a história de como os egípcios "aprenderam" a construir pirâmides perfeitas. E o melhor: quase sem turistas.
Quanto tempo: 1 dia combinando Saqqara + Dahshur + Mênfis.
 

Blue Hole
Blue Hole

Roteiro pronto: como encaixar tudo em 10 a 12 dias

Dia Cidade Destaque
1–3 Cairo + Gizé       Pirâmides, GEM, Khan el-Khalili 
4 Cairo → Aswan (voo)  Templo de Philae, feluca ao pôr do sol 
5    Abu Simbel  Templos de Ramsés II 
5–8 Cruzeiro no Nilo (Aswan → Luxor)  Kom Ombo, Edfu, vida a bordo 
8–9 Luxor  Vale dos Reis, Karnak, balão ao amanhecer 
10–12 Hurghada  Mar Vermelho, mergulho, descanso 

 

Versão 7 dias: Cairo (3) + voo para Luxor (2) + Aswan e Abu Simbel (2). Versão 15 dias: adicione Alexandria, Dahab ou Siwa.


Quando ir ao Egito?

 

  • Outubro a abril: a melhor época — dias entre 20 °C e 28 °C, perfeitos para explorar templos. Dezembro e janeiro são alta temporada; reserve com antecedência.
  • Maio a setembro: calor forte no sul (Luxor e Aswan passam dos 40 °C), mas preços caem até 40% e o Mar Vermelho fica perfeito. Viável para quem aguenta calor e começa os passeios cedo.
  • Evite decidir sem checar o Ramadã: viajar durante o mês sagrado é possível e culturalmente fascinante, mas alguns restaurantes fecham durante o dia.


Informações práticas para brasileiros e portugueses


Visto: brasileiros e portugueses podem solicitar o e-Visa online (site oficial: visa2egypt.gov.eg) ou obter o visto na chegada por US$ 25. Passaporte com validade mínima de 6 meses.

Vacina: para brasileiros, o certificado internacional de febre amarela pode ser exigido. Emita gratuitamente pelo aplicativo/site do Ministério da Saúde antes de viajar.

Moeda: libra egípcia (EGP). Leve dólares ou euros em espécie e troque aos poucos. Cartões funcionam em hotéis e restaurantes maiores; o dia a dia é movido a dinheiro vivo.

Idioma: árabe, mas o inglês resolve em todas as áreas turísticas — e os egípcios adoram brasileiros ("Brazil! Ronaldo! Neymar!" será a trilha sonora da sua viagem).

Segurança: as zonas turísticas são fortemente policiadas e milhões de turistas visitam o país todos os anos sem incidentes. Vale o bom senso de qualquer grande destino: atenção aos pertences e desconfie de "ajudas" espontâneas que terminam em pedido de gorjeta.

Gorjetas (bakshish): fazem parte da cultura. Separe notas pequenas: 5–20 libras egípcias para carregadores, banheiros e pequenos serviços.


Quanto custa uma viagem ao Egito?


Valores médios por pessoa (excluindo voo internacional):

  • Estilo econômico: US$ 40–60/dia — hostels, comida local (um koshari, prato nacional, custa menos de US$ 2), transporte público.
  • Estilo conforto: US$ 90–150/dia — hotéis 4 estrelas, cruzeiro no Nilo, guias privados.
  • Estilo luxo: US$ 250+/dia — hotéis históricos como o Old Cataract em Aswan, cruzeiros 5 estrelas, balão, jantares especiais.

Um pacote completo de 10 dias com cruzeiro pelo Nilo costuma sair entre US$ 1.000 e US$ 2.000 por pessoa em agências locais — menos do que muita gente gasta em uma semana na Europa.
 

Templo de Luxor
Templo de Luxor

Perguntas frequentes (FAQ)


Quais são as melhores cidades do Egito para visitar?

As essenciais para uma primeira viagem são Cairo (com Gizé), Luxor e Aswan, que formam o triângulo clássico da civilização faraônica. Com mais tempo, adicione Abu Simbel, Alexandria e um destino de praia no Mar Vermelho, como Hurghada ou Dahab.


Quantos dias são necessários para conhecer o Egito?

O mínimo recomendado é 7 dias para o circuito histórico. O ideal são 10 a 12 dias, incluindo um cruzeiro pelo Nilo e alguns dias de descanso no Mar Vermelho.


O Egito é seguro para turistas?

Sim. As áreas turísticas são prioridade de segurança nacional e recebem milhões de visitantes por ano. Aplique as mesmas precauções de qualquer destino movimentado.


Precisa de visto para o Egito?

Brasileiros e portugueses precisam de visto, mas o processo é simples: e-Visa online ou visto na chegada ao aeroporto por US$ 25.


Qual a melhor época para viajar ao Egito?

De outubro a abril, quando as temperaturas são amenas. Para economizar, os meses de maio, junho e setembro oferecem bons preços com calor administrável.


Vale a pena fazer o cruzeiro pelo Nilo?

Vale — para a maioria dos viajantes, é o ponto alto da viagem. O trajeto entre Aswan e Luxor (3 a 4 noites) combina transporte, hospedagem e visitas aos templos de Kom Ombo e Edfu em uma única experiência.

 

O Egito não é uma viagem. É um marco na sua vida.


Existem destinos que você visita e destinos que visitam você para sempre. O Egito é do segundo tipo. Você vai voltar para casa com areia do Saara no tênis, especiarias na mala e uma certeza incômoda: nenhuma foto, nenhum

documentário e nenhum artigo — nem este — chega perto de estar lá, de pé, diante de 5 mil anos olhando para você.
As cidades do Egito para visitar estão esperando há milênios. A pergunta não é "se", é "quando".

 

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Abu simble
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